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ITAPERUNA, MINHA TERRA

ITAPERUNA, MINHA TERRA
De Itaperuna para Praia Grande

sábado, janeiro 02, 2016

CCF & PENSADOR

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BUUUUUMMMMMMMM

Conto de Celso Corrêa de Freitas

“Inspirado e dedicado a alguns cães que habitam o meu universo”.

Por volta das 14 horas, Bilau começa a mostrar sinais de inquietações com os fogos de fim de ano.
 Ao contrario da sua companheira Xana, que se limitava a andar pelo corredor, Bilau chorava e queria sair dali e ir para frente da casa, para a varanda, onde seus donos se encontravam naquele momento.
O tempo avançou rápido, por volta das 23:30 horas, Bilau estava insuportável. Não adiantava pedir para ele ir para a sua casinha, ampla, fresca, e protegida do sol, da chuva, aonde o barulho dos fogos chegariam com menos intensidade.
Foi ai que o seu dono teve a ideia de colocar ele e Xana na casinha, fechando-a com algumas tábuas e madeiras existentes na casa.
Não demorou mais que 15 minutos, para que Bilau rompesse aquela barreira, e ganhasse o quintal novamente, voltando ao corredor, e ali ficar chorando ao lado da Xana, olhando para a varanda.
Seu dono então decidiu por fim de uma vez por todas aquela situação, pegou o bujão de gás que estava  estocado na  área reservada aos bujões, e que não estava conectado ao fogão, e o levou para a porta da casinha.  Fez Bilau e Xana entrarem novamente na casinha, e para completar o serviço, colocou a carcaça de uma tábua de passar roupa com a parte metálica para dentro, e a parte dos  pés para fora.
Bilau começou a tentar romper aquela barreira, mas não conseguiu...
A passagem de ano chegou, e neste momento, Seu Marcos, dono de Bilau e Xana, já estava deitado ao lado de Dona Etelvina, sua companheira, pois sua ideia era ver os fogos do Rio de Janeiro de demais localidades do Brasil, pela televisão...
(...)
Bilau não se dava por vencido diante daquela barreira, e inconformado batia com sua pata sequencialmente na parte superior do bujão. Batia com força, querendo tirar da sua frente aquela peça que bloqueava a entrada da casinha. Ele batia sem parar, exatamente em cima da válvula de retenção do gás.
Tshiiiiiiiii,  tshiiiiiiiii, tshiiiiiiiii, tshiiiiiiiii, tshiiiiiiiii, tshiiiiiiiii, tshiiiiiiiii, tshiiiiiiiii, tshiiiiiiiii, tshiiiiiiiii
Xana, que até então estava calma dentro da casinha, incomodada com aquele tshiiiiiiiii
, tshiiiiiiiii, tshiiiiiiiii, levanta-se e se mete por baixo da parte metálica da tábua de passar roupa.
Ao ser levantado, e no momento seguinte liberada com a passagem do corpo da Xana, por baixo de si, essa parte metálica, cai violentamente, e ao chegar ao piso da casinha, provoca uma faísca que...
(...)
BUMMMMMMM
Aquele barulho, misturado à explosão de luzes e cores que vinham do foguetório que se seguiu à passagem do ano de 2015 para 2016, encantou seu Marcos, que comentou com dona Etelvina:
- Caramba, os fogos estão bastante fortes este ano hem, nem parece que tem crise no País!
E dona Etelvina, que já estava entrando em sono profundo, pois não parara um minuto durante o dia, murmura, pensando que seu marido, falava do seu hábito de soltar puns, antes de pegar firme no sono, murmura:
- Não fui eu não!
Seu Marcos, da um sacolejo na mulher, e fala:
- 2016 chegou muié, vamos comer, vamos comemorar, acordaaaaaaaaaaa trem!
E lá foram os dois para a cozinha, onde uma mesa farta os esperava.
Comeram, beberam, e voltaram para a cama...Naquele momento nem seu Marcos  pensava na Xana, e nem dona Etelvina pensava no Bilau. Eles queriam mesmo era  dormir.
(...)
Seu Marcos acordou cedo, pegou sua bicicleta, e foi até o mercado comprar pão. Ele não dispensava um pãozinho francês no café da manhã.
Seus ouvidos  logo começaram a captar  umas conversas, meio estranhas para aquela manhã de ano novo:
- Caramba, você ouvirão a explosão de ontem a noite?
- Nem me fala, e aquele cogumelo que se formou?
- Aquilo que era foguete!
Seu Marcos pagou pelos pães, pegou sua bicicleta, e chegou à sua casa. Entrou, foi ao quarto acordar dona Etelvina, e...
- Muié, as cachorras estão quietas! Você já foi lá vê-las?
- Eu, eu não!
- Vou lá dar uma olhada.
Seu Marcos toma o rumo da cozinha, chega ao corredor, e caminha para os fundos da casa...
(...)
Dona Etelvina, é acordada pelo grito do seu marido:
-EEEEEEEEETTTTTTTTTTTEEEEEEEEELLLLLLLLLVVVVVVVVVIIIIIIIIIIINNNNNNNNNNAAAAAAAAAA
Ela corre em direção ao funda da casa, e lá encontra seu marido, ao lado de um enorme buraco, onde antes existia a casinha de Bilau e Xana.
Era entulho para tudo que era lado. Não só daquele lado, mas também por sobre os telhados dos vizinhos.
Quando a desgraça parecia ser maior, eis que Bilau e Xana chegam por trás de seu Marcos e Dona Etelvina.
No rosto de cada um, naquele momento apenas um sentimento dedicado aos seus donos:
-FE(Au)LIZ (Au)A(AuNO(Au) NO(Au)VO(Au)!
É, aquele era um ano que começava com muito trabalho para o seu Marcos  e Dona Etelvina.
- E cachorrada doida, Feliz ano novo para vocês também!

“Não existem obstáculos, quando você está decidido a sobreviver aos maus momentos, e transforma-los em novos caminhos (CCF)”

FIM

Biografia

Celso Corrêa de Freitas
56 anos.
Poeta, Escritor e Articulista.
Nascido em Itaperuna-RJ, aos 26 de Agosto de 1954.
Atual Presidente (O sexto) da Casa do Poeta Brasileiro de Praia Grande-SP e da Confraria de Artistas e Poetas pela Paz - CAPPAZ Seccional de Praia Grande-SP.
Coordenador da Cappaz para a Costa de Mata Atlântica(Baixada Santista).
Colaborador ativo nos jornais e demais meios de comunicação (Blogs e Sites). Participante, prefaciante e Organizador de Antologias e livros solos.
Contato: Celso.correadefreitas@gmail.com-casadopoetabrdepraiagrande@gmail.com-ccfcappaz@globomail.com
Sites: www.portalpoeticoccf.blogspot.com-www.casadopoetapg.com.br-www.cappaz.com.br