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ITAPERUNA, MINHA TERRA

ITAPERUNA, MINHA TERRA
De Itaperuna para Praia Grande

terça-feira, outubro 31, 2006

O COMEÇO DO FIM

OBS: Não leia esse texto, como um simples desabafo de um eleitor derrotado. Leia-o pelo que de fato é, um relato verdadeiro de um fato ocorrido na noite em que o Brasil reelegeu o Sr. Lula, para mais um mandato.
19:30 horas, estou fechando o meu estabelecimento comercial. Dia fraco. Igual aos muitos que passaram nos ultimas três anos.
Terminal Rodoviário vazio e o meu gráfico, tem a sua seta caída no fundo da tabela de crescimento nas vendas.
Já sei que o Sr. Lula, foi reeleito. Um sentimento toma meu pensamento, enquanto meu coração reprime uma emoção rebelde que ameaça explodir nos meus olhos.
Liberto a minha bicicleta do poste e nela, companheira desses últimos anos, vou para casa.
Pôr caminhos conhecidos e desertos, logo chego a minha rua. Um pouco antes do portão de casa, noto frente a uma lixeira residencial, que uma pessoa está a revirar os sacos de lixo.
Me pareceu ser um menino.
Paro em frente a minha casa, pensativo. Solange; minha mulher, estranha eu não entrar em casa e ficar ali parado a olhar para o outro lado da rua.
Eu dou meia volta, e ela me segue.
Mais alguns passos, estou diante daquela pessoa. De fato um menino. Devia Ter a idade do meu filho Cássio(9 anos).
A pergunta que lhe faço, sai da minha boca, sem cuidado, meio ríspida meio paterna.
-Menino, o que você está fazendo na rua a está hora?
Como se eu não estivesse vendo as suas pequenas mãos metidas dentro do saco de lixo.
Solange, conseguiu ser mais direta na pergunta.
-Você está procurando comida, filho?
Ele, com os olhos fixos em mim, responde para ela.
- Comida não dona. Estou vendo se consigo achar algo que eu possa vender no ferro velho amanhã.
Eu repliquei...
-Mas você devia estar em casa. Hoje é Domingo e isso não é hora de criança estar na rua, num bairro como o nosso.
O menino então mostrou-me alguns pedaços de ferro e alumínio que havia encontrado, e completou.
-Eu sei moço, mas é que eu preciso ajudar a minha mãe, senão a gente não vai ter o que comer amanhã.
Solange lhe perguntou..e ele respondeu:
-Você não é daqui?
-Eu sou da Bahia dona. Chegamos aqui a pouco tempo.
Nesse momento, a emoção que estava reprimida em mim desde o momento que havia deixado a loja, explodiu e as lagrimas brotaram como os milhares de panfletos pró Lula que forravam o chão da nossa Zona Eleitoral e inundavam todo o nosso bairro.
A meu ver, alguma coisa estava errada, naquele cenário.
O sotaque do menino era inconfundível. Me veio de imediato a mente, a lembrança daquele dia que passei em Riachão do Jacuípe-Bahia, a alguns anos atrás. Eu na ocasião, conversava na porta do hotel com algumas crianças e uma delas ao saber que eu era de São Paulo me informou e também me questionou:
-Moço, eu tenho uma tia lá em São Paulo. O senhor conhece ela?
Sua irmã de pronto saiu em minha defesa...
-Mas Diego, São Paulo é muito grande!
Ele não deu o braço a torcer...
-Maior que Jacuípe?
Se o nordeste está conforme se apregoa uma maravilha, o que significava a presença daquele menino ali, naquelas horas, a revirar o lixo alheio.
-Filho... disse-lhe eu com as lagrimas molhando minhas palavras...se eu lhe der um dinheiro, você promete que vai para casa.
Ele não titubeou.
-Prometo moço.
-Mas é para ir mesmo. Não quero ver você mais na rua hoje.
-Pode deixar moço.
Peguei minha carteira, tinha R$ 8,00 reais dentro dela. Dei R$ 4,00 para ele e fiquei com os outros R$ 4,00 para as nossas despesas da manhã seguinte.
O menino pegou o dinheiro das minhas mãos e me disse. Parecia que eu estava ouvindo aquele menino lá do Riachão do Jacuípe...
-Pode ficar sossegado moço. Eu gostei do senhor e não vou lhe faltar com a palavra.
Virou-se para Solange e completou...
-Obrigado dona!
-Tá bom, agora vai para sua casa.
Ele colocou aquele pouco dinheiro que lhe dei no bolso e se foi com seu passinho miúdo e pés descalços.
Entrei em casa e vi meus dois filhos no sofá me esperando.
Eles virão o meu estado e correram para me abraçar.
-O que foi que aconteceu pai?
Contei-lhe o que se passará e choramos os quatro, mais um pouco.
Bom... na abertura do livro "DESTINO EM TRANSIÇÃO"; eu, comentando algo acontecido nos primeiros meses do primeiro mandato do Sr, Lula(15/05/03) apontei...
"Vamos lá presidente, mande acertar o seu relógio e faça os ponteiros deste Brasil andarem no compasso de um tempo que nos traga a garantia das horas certas e dias melhores...afinal, tudo são detalhes. NÃO OS FAÇA ENORMES ENTRE NÓS".
Hoje, um dia após a confirmação da reeleição, lembrando aquele menino de ontem a revirar o lixo às 8 horas da noite, eu aponto ao Sr. Lula, o seguinte:
"QUANDO TIRAMOS O TEMPO DE ALGUÉM. TUDO QUE FIZERMOS DEPOIS, SERÁ FEITO NO SENTIDO OU FORMA DE COMPENSAR UMA VIDA PERDIDA.
O BRASIL, NÃO PODE MAIS PERDER TEMPO! QUANTO TEMPO MAIS PERDERMOS, MAIS POBRES SEREMOS E MENOS TEMPO TEREMOS PARA CORRIGIR NOSSOS ERROS. PRINCIPALMENTE OS COMETIDOS CONTRA AQUELES QUE ENTENDEM SER O TEMPO, APENAS UMA BRINCADEIRA
"(ccf).
Praia Grande, 30 de Outubro de 2006

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Biografia

Celso Corrêa de Freitas
56 anos.
Poeta, Escritor e Articulista.
Nascido em Itaperuna-RJ, aos 26 de Agosto de 1954.
Atual Presidente (O sexto) da Casa do Poeta Brasileiro de Praia Grande-SP e da Confraria de Artistas e Poetas pela Paz - CAPPAZ Seccional de Praia Grande-SP.
Coordenador da Cappaz para a Costa de Mata Atlântica(Baixada Santista).
Colaborador ativo nos jornais e demais meios de comunicação (Blogs e Sites). Participante, prefaciante e Organizador de Antologias e livros solos.
Contato: Celso.correadefreitas@gmail.com-casadopoetabrdepraiagrande@gmail.com-ccfcappaz@globomail.com
Sites: www.portalpoeticoccf.blogspot.com-www.casadopoetapg.com.br-www.cappaz.com.br